Análise: Lula, Ricardo e Veneziano
23 jan 2012


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Por Josival Pereira

Em que pese distância e diferenças, tem-se ouvido muito nos últimos dias comparações entre a disputa eleitoral para prefeito este ano em João Pessoa e Campina Grande e a eleição presidencial de 2010. Em comum há o fato de que os líderes políticos no poder apresentaram candidatas sem qualquer expressão eleitoral. Lula elegeu Dilma com sobras, mas será que o governador Ricardo Coutinho elegerá Estelizabel e o prefeito Veneziano Vital do Rego dará vitória Tatiana Medeiros?

Não se duvide que, na verdade, Ricardo e Veneziano estejam alimentando a pretensão de imitar o feito Lula. Não custa pensar grande. A questão – alega-se por aqui – é que Lula é Lula e o governador e o prefeito não teriam cacife político para impor e eleger qualquer candidato. O problema é que essa é uma questão política complexa e não se resolve com comparações. A rigor, talvez nem exista qualquer semelhança entre os fatos políticos mencionados.

Indague-se: os líderes ou chefes políticos, genericamente, têm força suficiente para eleger candidatos sem nenhuma expressão eleitoral? O que funciona em eleições como a de Dilma e em disputas eleitorais como as de agora em João Pessoa e Campina Grande? Eis duas das muitas questões intrigantes sobre o tema.

Em agosto de 2009, pouco mais de um ano antes das eleições de 2010, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, considerado à época um dos mais importantes analistas da política nacional, em entrevista à revista Veja, afirmou taxativamente que o presidente Lula não conseguiria eleger Dilma Rousseff, sob o argumento de que uma coisa era ele participar diretamente de uma eleição, outra era ele apoiar um candidato. Errou feio, como se sabe. Deu Dilma na cabeça.

Ao fazer sua previsão, o presidente do Ibope parece ter desprezado um estudo divulgado pouco antes com duas conclusões interessantes. A primeira era a de que um líder, mesmo no poder, não elege qualquer candidato, vez que o fenômeno da transferência de voto é sempre uma incógnita. A segunda, ao inverso, era a de que haveria, sim, a possibilidade de um líder eleger um candidato novo desde que esse pudesse exprimir luz própria ou alguma trajetória pessoal de relevo na campanha.

Foi o que aconteceu com Dilma. Ela não tinha nenhuma dimensão eleitoral, mas foi apresentada como guerrilheira, guerreira, ex-secretária no Rio Grande do Sul e ministra que tinha realizado meio mundo no governo Lula. O próprio presidente a batizou de a “mãe do PAC” e a propaganda se encarregou de por na conta de Dilma o programa Luz para Todos, a solução para o apagão elétrico e tratá-la como uma espécie de primeira ministra e coordenadora de todo o governo. Dilma ganhou luz própria e uma marca de gerente e boa administradora. Some-se isso ao prestígio de Lula e estará explicado, em grande parte, o resultado das eleições de 2010.

Na Paraíba, é possível se dar luz própria e trajetórias públicas relevantes às duas candidatas – Estelizabel Bezerra (João Pessoa) e Tatiana Medeiros (Campina Grande) semelhantes àquela dada a então candidata Dilma Rousseff? Eis a questão.

postado por TV Tambaú, às 18h29

1 comentário

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1 comentário para “Análise: Lula, Ricardo e Veneziano”

  1. vilmar fernandes de souza disse:

    Caro Josival, acho que ainda é cedo para tirar conclusões, vou falar da candidata aqui de joão Pessoa, pois conheço um pouco a sua situação. Andei assistindo algumas entrevistas dela, e acho que ela tem um certo conhecimento, apesar de não achá-la ainda em ritmo de campanha, acho também que ela deveria caprichar mais no visual, pois lembro bem que Dilma deu uma melhorada para se apresentar bem para seus eleitores, sei que o importante são as propostas, mais para quem quer ser prefeita da capital, é bom observar também esse lado. Outro detalhe é o batismo, Dilma era a mãe do PAC, o que gerava credibilidade, AGRA era tido como a pessoa que planeja toda a gestão de Ricardo, o que também lhe dava credibilidade, agora Estilizabel vai precisar de mais jogo de cintura. Outro fato que acho que vai ser determinante, será o candidato a vice, se conseguirem emplacar Nonato Bandeira como vice, eu enxergo amplas possibilidades, apesar de muitos quererem ele como cabeça de chapa, e também é obvio, vai contar muito como a administração de Ricardo e Agra estiverem, junto também, com o empenho dos dois, o resto, é esperar os desdobramentos, já que a política é muito dinâmica.
    Um forte abraço.